segunda-feira, 18 de abril de 2016

Letramento digital e as novas maneiras de ensinar

Com o letramento digital, as maneiras de pensarmos o ensino e o uso de ferramentas pedagógicas vêm se modificando. Para refletir sobre isso, vamos discutir dois textos que tratam do assunto: “WebQuests: Tecnologias, multiletramentos e a formação do professor de inglês para a era do ciberespaço” de Reinildes Dias e “Os novos espaços de atuação do professor com as tecnologias”, de Jose Manuel Moran.
O texto de Reinildes Dias traz reflexões interessantes acerca das novas tecnologias. Dias aborda a necessidade que o cidadão de hoje tem de ser letrado digitalmente, e isso se estende ao professor de língua inglesa: “A sociedade mudou sob a influência dessas tecnologias e, com isso, novos tipos de letramento são necessários, inclusive à comunidade discursiva dos professores de inglês” (p. 882).
Para a autora, é necessário os professores de línguas se adequarem a essa nova realidade. Na chamada era colaborativa, a troca de conhecimentos entre professores e alunos deixa de ser hierárquica e passa a funcionar como um trabalho em equipe.
A autora cita ainda alguns tipos de letramento, conceituando-os conforme a proposta do “New London Group” (1996): Letramento digital, letramento multimodal e letramento crítico. Para ela, as práticas do multiletramento têm suas origens com as mudanças na sociedade, nas áreas sociais, culturais e tecnológicas. Assim, não é preciso apenas capacitar o aluno a ler e escrever, mas é necessário que o novo indivíduo saiba fazer uso dessa leitura e escrita na sociedade.
Para Dias, um exemplo de aprendizagem colaborativa que incentiva os participantes a interagirem nos processos de construção on line são o WebQuests, ambientes multimodais que ampliam a participação dos envolvidos, de maneira a que estes construam o conhecimento de forma colaborativa.
Por fim, a autora passa a explicar como funcionam os WebQuests e cita algumas pesquisas realizadas com esse aplicativo e os resultados obtidos, com o objetivo de mostrar que nessa nova sociedade contemporânea em que estamos vivendo o uso das novas tecnologias não seria mais um luxo e sim uma necessidade.
Já o texto “Os novos espaços de atuação do professor com as tecnologias”, de Jose Manuel Moran, trata da interação entre o professor e as novas tecnologias de forma ampla, com destaque para a maneira como estão inovando escolas e Universidades.
Algo bastante interessante tratado por Moran é o fato de que muitos professores, por não terem preparo adequado, estão usando as novas tecnologias apenas para ilustrar os conteúdos de sempre, ao invés de as usarem para criar novos desafios pedagógicos.
Para Moran, a sala ideal deve ter professores bem preparados, bem remunerados e com formação pedagógica adequada. O professor precisa, no mínimo, de um DVD e um ponto de internet para acesso a site de jogos, jornais on line etc. Mas é preciso alertar para o fato de que a realidade e o mínimo sugerido por Moran estão longe de combinarem, já que em muitas de nossas escolas públicas é difícil encontrar até mesmo uma TV ou um som portátil que funcionem, o que mostra que a educação brasileira em muitos lugares de nosso país ainda é critica.
Devemos sim, uma vez tendo acesso aos meios tecnológicos, tentar inovar, buscar aperfeiçoar e melhorar cada vez mais nossas aulas. Mas e o que fazer com os professores e alunos que não dispõem desses recursos, ficarão eles à margem das novas possibilidades oferecidas? É possível ter educação de qualidade mesmo sem esses recursos mínimos citados por Moran? Eis um bom tema para os debates sobre o assunto.


By Cassiane Oliveira de Souza Gomes

3 comentários:

Adriana Capuchinho disse...

Muito obrigada pela reflexão, Cassiane. Acredito que podemos iniciar amanhã a partir de suas considerações.
Pessoal, espero que estejam já pensando na nossa discussão de amanhã.

Unknown disse...

Cassiane, ótimas as suas considerações. Os textos realmente dialogam com essa enorme necessidade que hoje sentimos diante do letramento digital e como o ensino e a aprendizagem vão se construindo diante deste cenário, isso ajuda ao professor e a também o aluno a galgar novos caminhos. A importante tarefa de nós professores está sempre voltada nossa própria recriação como docentes.

Unknown disse...

Cassiane, após a leitura, pude perceber que, segundo Moran, formar cidadãos críticos é um dos principais desafios para o professor, e isso podemos e devemos fazer em nossas salas de aula, mesmo nas escolas em que não são disponibilizados recursos tecnológicos. Desenvolver o letramento crítico nessa situação pode ser feito, mas infelizmente, o letramento digital não.