Com o letramento digital, as
maneiras de pensarmos o ensino e o uso de ferramentas pedagógicas vêm se modificando.
Para refletir sobre isso, vamos discutir dois textos que tratam do assunto: “WebQuests:
Tecnologias, multiletramentos e a formação do professor de inglês para a era do
ciberespaço” de Reinildes Dias e “Os novos espaços de atuação do professor com
as tecnologias”, de Jose Manuel Moran.
O texto de Reinildes Dias
traz reflexões interessantes acerca das novas tecnologias. Dias aborda a
necessidade que o cidadão de hoje tem de ser letrado digitalmente, e isso se
estende ao professor de língua inglesa: “A sociedade mudou sob a influência dessas
tecnologias e, com isso, novos tipos de letramento são necessários, inclusive à
comunidade discursiva dos professores de inglês” (p. 882).
Para a autora, é necessário
os professores de línguas se adequarem a essa nova realidade. Na chamada era
colaborativa, a troca de conhecimentos entre professores e alunos deixa de ser
hierárquica e passa a funcionar como um trabalho em equipe.
A autora cita ainda alguns
tipos de letramento, conceituando-os conforme a proposta do “New London Group”
(1996): Letramento digital, letramento multimodal e letramento crítico. Para
ela, as práticas do multiletramento têm suas origens com as mudanças na
sociedade, nas áreas sociais, culturais e tecnológicas. Assim, não é preciso apenas
capacitar o aluno a ler e escrever, mas é necessário que o novo indivíduo saiba
fazer uso dessa leitura e escrita na sociedade.
Para Dias, um exemplo de
aprendizagem colaborativa que incentiva os participantes a interagirem nos
processos de construção on line são o
WebQuests, ambientes multimodais que ampliam
a participação dos envolvidos, de maneira a que estes construam o conhecimento
de forma colaborativa.
Por fim, a autora passa a
explicar como funcionam os WebQuests e cita algumas pesquisas realizadas com
esse aplicativo e os resultados obtidos, com o objetivo de mostrar que nessa
nova sociedade contemporânea em que estamos vivendo o uso das novas tecnologias
não seria mais um luxo e sim uma necessidade.
Já o texto “Os novos espaços
de atuação do professor com as tecnologias”, de Jose Manuel Moran, trata da
interação entre o professor e as novas tecnologias de forma ampla, com destaque
para a maneira como estão inovando escolas e Universidades.
Algo bastante interessante tratado
por Moran é o fato de que muitos professores, por não terem preparo adequado, estão
usando as novas tecnologias apenas para ilustrar os conteúdos de sempre, ao invés
de as usarem para criar novos desafios pedagógicos.
Para Moran, a sala ideal
deve ter professores bem preparados, bem remunerados e com formação pedagógica adequada.
O professor precisa, no mínimo, de um DVD e um ponto de internet para acesso a
site de jogos, jornais on line etc.
Mas é preciso alertar para o fato de que a realidade e o mínimo sugerido por
Moran estão longe de combinarem, já que em muitas de nossas escolas públicas é difícil
encontrar até mesmo uma TV ou um som portátil que funcionem, o que mostra que a
educação brasileira em muitos lugares de nosso país ainda é critica.
Devemos sim, uma vez tendo acesso
aos meios tecnológicos, tentar inovar, buscar aperfeiçoar e melhorar cada vez
mais nossas aulas. Mas e o que fazer com os professores e alunos que não
dispõem desses recursos, ficarão eles à margem das novas possibilidades
oferecidas? É possível ter educação de qualidade mesmo sem esses recursos mínimos
citados por Moran? Eis um bom tema para os debates sobre o assunto.
By Cassiane Oliveira
de Souza Gomes
3 comentários:
Muito obrigada pela reflexão, Cassiane. Acredito que podemos iniciar amanhã a partir de suas considerações.
Pessoal, espero que estejam já pensando na nossa discussão de amanhã.
Cassiane, ótimas as suas considerações. Os textos realmente dialogam com essa enorme necessidade que hoje sentimos diante do letramento digital e como o ensino e a aprendizagem vão se construindo diante deste cenário, isso ajuda ao professor e a também o aluno a galgar novos caminhos. A importante tarefa de nós professores está sempre voltada nossa própria recriação como docentes.
Cassiane, após a leitura, pude perceber que, segundo Moran, formar cidadãos críticos é um dos principais desafios para o professor, e isso podemos e devemos fazer em nossas salas de aula, mesmo nas escolas em que não são disponibilizados recursos tecnológicos. Desenvolver o letramento crítico nessa situação pode ser feito, mas infelizmente, o letramento digital não.
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